29 de fev. de 2008

A vida, a idade e o respeito


Estávamos lá, eu e mais um amigo numa mesa de bar ao som de um bom samba, tomando uma cerveja e esperando outros amigos chegarem. Numa mesa ao lado, estavam dois velhinhos. Entre uma conversa e outra, nós espiávamos a conversa dos dois. Conversavam baixo. Não porque não queriam que alguém ouvisse, mas porque a idade já não permitia alguns exageros. De repente, um se levantou e foi ao banheiro (voltaria a repetir essa ação por mais umas 3 ou 4 vezes). Na volta, passando pela nossa mesa, decidiu parar. Chamou-nos. Aproximamos-nos, mas já pensando: “lá vem mais uma daquelas histórias”. Ele bem baixo perguntou: “Como se tira um elefante da chuva?”. Rapidamente já quebramos qualquer tipo de barreira. Começamos a rir. Era mais uma piada. Não sabíamos. Cogitamos a possibilidade de responder: “com um guindaste?”, “com um trator?”. Simplesmente ele disse: “Molhado.”. Alguns minutos depois, o outro velhinho que lhe acompanhava chegou até a nossa mesa e disse: “Não repara não. Já são quase 85.”. Parecia que queria eximir seu amigo de qualquer culpa, ou até de qualquer incômodo que estaria nos provocando. Ora, que culpa ele tem? Que incômodo nos causou? Absolutamente nenhum. Pelo contrário. Esses dois velhinhos nos causaram profunda admiração, afinal: já era noite e ambos estavam tomando suas cervejas, conversando sobre tudo, rindo (baixo, mas rindo), indo ao banheiro 3 ou 4 vezes, brincando com os outros a sua volta (o que nos incluía) e já tinham 85 anos! Não demoramos muito para concluir: “Quero ser assim quando ficar mais velho!”.

Bem, aonde quero chegar com essa história?

Vira e mexe, escuto alguns idosos dizerem: “Isso é coisa pra jovem!”, “Gente velha não agüenta isso não!”. Ou começam aqueles papos saudosistas como se suas vidas tivessem parado no tempo e se acomodam. E o pior não é isso. A sociedade os acomoda. Põe essas pessoas nos seus lugares (lugar este situado longe da sociedade).

Em algumas civilizações antigas e algumas culturas, principalmente orientais, o idoso é tido como um ser dotado de experiência, saber e poder de reflexão, por isso, são respeitados por todos. Já em outras culturas... "O velho", "o ultrapassado".

Complicada essa situação. As coisas evoluem. Mas... nossos velhinhos sofrem...e nem é preciso ir muito longe para se constatar isso.

O idoso, primeiramente, deve pensar em si próprio: ter uma vida ativa (sem exageros, é claro!), aproveitá-la. E, quando a idade tratar de não deixar mais fazer algumas coisas, é aí que entra a sociedade. Sociedade, que eu falo, não num caráter mundial, mas dentro de nossas próprias casas, sejam nossos avôs, pais, mães etc. Como as civilizações e culturas antigas têm a nos ensinar: Respeito é tudo.

Ah! Já ia me esquecendo: antes de ir embora ele ainda nos contou outra piada, mas em respeito às mulheres que nos lêem, prefiro deixar para uma outra ocasião.

Os velhinhos do bar têm muito a nos ensinar (Rimou!).

3 comentários:

Unknown disse...

Só digo uma coisa.. "aqueles papos saudosistas" .. isso me lembra alguém ... ("ah a vilage..")..hehe

Tatah disse...

Hahaha, agora fiquei curiosa pra saber a tal piada do velhinho te contou!
Muito bom,muito bom...Concordo com vocÊ,a gente deve viver até morrer,po!
Hahahah.
=)

Bernardo Botelho Fontes disse...

boa muleque!
faltaram os velhinhos ontem lá de novo!