27 de abr. de 2008

Pensava Ela No Casamento, Eu No Futebol

Se as mulheres travam uma luta ferrenha com nós, homens, no mercado de trabalho, o mesmo não acontece no plano psicológico. Pelo menos, eu acredito, que não deveria acontecer. Pode parecer machismo ou até medo, mas acho que um pouco do do discurso 'bonecos são para meninos e bonecas são para meninas' deve ser mantido.

O assunto me veio quando, andando a esmo pela cidade de Niterói, me deparei com uma mulher que, juro, era umas 3 vezes maior que eu. Mas digo maior não de gordura, até porque isso não é difícil, mas de tamanho. Ela devia ser fisioculturista, algo assim. Fique tão chocado que tive que disfarçar minha cara de espanto quando percebi que no meio daquela massa de músculos haviam seios que, junto com o cabelo escorrido, denotavam que o ser era uma mulher.

Beleza, vocês podem dizer que cada um faz o que gosta, que se ela se sente bem assim, está tudo certo. Tudo bem, não vou convencê-los do contrário, mas só quero denotar que eu prefiro a fragilidade feminina do que essa Rambo mulher. Fique imaginando você lá na hora H com alguém assim, tão definida, e você, ao fazer carinho, não sente um braço pequeninho, frágil, com uma pele doce que convida ao amor. Você sente é um bíceps bitelo cultivado após anos e anos de malhação e sabe-se lá mais o que.

Eu concordo que as mulheres devem discutir de igual para igual, mas não vejo a necessidade de, com isso, negarem o título de sexo frágil. Até porque, isso está biologicamente em vocês, mulheres. Afinal, imaginem se fôssemos nós que engravidássemos e vossas crianças dependessem do nosso carinho de ogro para que elas crescessem... Não ia dar certo.

Até para cada sexo não perder um pouco da sua identidade, acredito que muitos padrões devem ser mantidos, mas não por preconceito. Por exemplo, o próprio título denota isso. Não quero dar uma de insensível ou grosso, mas é verdade. E confessem, quantas não foram as vezes que vocês já trocaram as suas namoradas pelo futebol ou pelo boteco com os amigos? E confessem vocês, mulheres, quantas vezes também não trocaram seus namorados para fazerem programas que só poderiam acontecer com suas amigas? Nessa questões estão, além do individualismo de cada um, a questão de que existem sim assuntos para homens e existem assuntos para mulheres.

Eu tenho medo é de chegarmos a um ponto em que essa guerra dos sexos se instale de tal forma que até a mulher dizer, daquele jeito que só vocês, sabem dizer, que ama o namorado ou marido, será um ponto de fraqueza. Eu prefiro deixar do jeito que está. Prefiro as mulheres que brigam comigo porque estou bêbado e não a que fica bêbada comigo; com a que não gosta de futebol, mas torce para o meu Mengão só para me deixar feliz; com a que insiste em ir a praia mesmo sabendo que eu detesto; com a que gosta de comédias românticas enquanto eu prefiro explosões. Afinal, eu prefiro a mulher que não seja tão homem quanto eu.

24 de abr. de 2008

Em construção

Peço desculpas a você, caro leitor.
A minha próxima, ou melhor, minhas próximas postagens estão em construção. Elas irão ao ar apenas na quinta-feira da semana que vem. O que posso adiantar é que será uma série de 5 postagens sobre um único tema.
Enquanto isso, aproveite o tempo para ler algumas antigas minhas ou do Bernardo, ou então, vai dormir.
Até mais!

21 de abr. de 2008

De Médico e Louco

Acredito que todos vocês tenham se lembrado do ditado 'de médico e louco, todo mundo tem um pouco' ao lerem o título desse texto. Eu sou um daqueles que concorda com esse e com vários outros ditados. Mas tem momentos que essa loucura pessoal alheia impressiona e vale mais uma frase recorrente em encontros nas mesas de bar com meu amigo e companheiro de blog Luis: 'Cara, tem nêgo muito doido nesse mundo!'.

As vezes a gente acredita que para todas as bizarrices e situações loucas existe um limite. Mas ontem, depois de assistir a uma reportagem no fantástico sobre um padre que queria bater o recorde de vôo com balões de festa, eu parei. Até o começo da reportagem tudo certo, mas eu fiquei impressionado com a seqüência: o padre voou e sumiu, está perdido. Dizem que talvez esteja no mar. Esse é a prova maior de outra frase famosa que nem sei se pode ser considerado um ditado: 'Quer aparecer pendura uma melancia no pescoço.'. Em tempos de mulher melancia essa idéia até que não cai tão mal. Mas enfim, isso não vem ao caso.

O caso é: qual o limite entre a loucura e a idiotice? Pego o padre voador como exemplo. O cara me resolve voar atrelado a 500 balões de festa para promover as ações Pastoral Rodoviária do Paraná. Cara, porque ele quis voar? Não seria muito mais interessante ele percorrer os não-sei-quantos quilômetros do litoral brasileiro numa bicicleta, já que ele faz missas nas estradas? Depois dessa pergunta me veio outra, como será a comunhão nas suas missas? Quero ver ele sair molhando pão no vinho e dar para os caminhoneiros. Os caras já vão estar travados dos remédios que tomaram para não dormir e ainda vão tomar um vinhozinho pra ficar no brilho! Combinação tensa...

No último tópico eu falei que quase morri quando caí do teto de um carro direto com o queixo no asfalto. A história foi: sai da festa de formatura do um amigo e todo mundo entrou no carro. Eu, já mais 'alegre', vendo que não havia espaço no carro resolvi, genialmente, pensar: 'Porra, vou agarrado no teto! Se todo mundo faz isso nos filmes, por que eu não posso?'. Para quê... Na primeira freada já trepidei e na segunda fui direto ao chão. Na hora todo mundo falou que fui louco, maluco, essas coisas, mas, na verdade, fui idiota assim como o padre voador. Porra, porque não pensei um pouco e esperei outro carro?

Agora, o problema é quando neguinho morre nessas idiotices. O padre, que levava consigo um celular, já ligou para alguém avisando que não havia morrido, mas que precisava de instruções para o operar o GPS que possuía e dizer onde estava. Sorte dele. Agora, imagina se ele caísse no meio do mar e ficasse de companhia para os tubarões? Certo que ele viraria algum tipo de lenda local. Não intenção do ato que fez, mas sim pela quantidade incontável de inteligência presente no seu plano. Ou seja, ganharia a fama por sua idiotice!

Para mim, a diferença entre loucura e idiotice é o saber medir as conseqüências de atitudes como resolver bater o recorde de vôo com balões de festa! Mas, ainda assim, sou teólogo de que todos nós somos além de médicos e loucos um pouco idiotas.

PS1.: Piada tosca feita após a exibição da reportagem no fantástico: 'É esse padre aí foi, literalmente, para o Reino dos Céus.'

PS2: Feliz dia de São Jorge, nosso santo guerreiro, nessa quarta-feira para todos os adeptos do rapaz.

18 de abr. de 2008

Sem palavras.



Nesta terça-feira, dia 15/04/08, o Brasil ficou sabendo que Romário anunciou sua aposentadoria. É lógico que ainda pode-se esperar algumas partidas de despedida do baixinho, porém, pelo menos profissionalmente, ele não joga mais.

Não sei se meu sentimento em relação a este episódio é de tristeza. É evidente que fiquei um pouco triste. No entanto, minha felicidade é muito maior. Algumas vezes vejo meu avô ou meu pai falando dos grandes craques do passado que eles viram jogar, como: Garrincha, Zico, Adílio, entre outros.

Depois de Romário, eu passo a me igualar a eles.

"Romário? Foi o maior jogador que eu já vi jogar! Para mim, foi um GÊNIO!"

OBS: Quem viu, viu. Quem não viu, não tem Wikipédia ou youtube que mostre o que ele fez pelo futebol.

15 de abr. de 2008

Eu e o Mosquito

Já estamos longe o tempo em que a criançada ouvia o nome dengue e pensava no colorido mosquito que animava o palco do já extinto Xou da Xuxa. Hoje, a dengue, principalmente no Rio de Janeiro, é a prova maior do quão atrasado estamos em relação a questões como saneamento básico e saúde pública. Mas não vou fazer um discurso politiqueiro, vou relatar minha história com o mosquito.

Desde o começo dessa epidemia pela cidade, que eu já venho carregando no bolso o meu pessimismo. Sempre acho que alguém que conheço vai pegar dengue ou, na pior das hipóteses, eu pegarei. Isso foi reforçado pelo fato de um amigo já ter contraído a doença antes mesmo desse surto no mês de março e abril. Foi antes do carnaval até e, só para constar, ele está vivo! Ah, e teve uma amiga de faculdade que pegou, mas sobreviveu também. Enfim, vamos ao meu caso.

O inferno térmico que só existe em Niterói estava mais do que presente na tarde de quinta-feira última. Por não ter nada o que fazer, resolvi jogar um play2 de leve, só pra relaxar. Na sala, onde fica o video-game, o ventilador estava quebrado, então tive que ficar sem camisa para tentar amenizar o suadeiro. Talvez, esse ato virá a ser um erro fatal.

Enquanto fazia as curvas certinhas no Need For Speed, senti alguma coisa no lado esquerdo da barriga, um pouco acima do osso da bacia. Esperei chegar até uma reta no jogo para ver o que era e quando virei a cabeça estava lá o maldito. Era pequeno, mas maior dos que os mosquitos que vejo e eu juro que ele tinha perninhas brancas! No desespero instintivo dei-lhe um tapa, mas o demônio fugiu e sumiu. Daí veio o desespero.

Nunca imaginei que meu segundo cara-a-cara com a morte seria através medidas tão desproporcionais - o primeiro foi uma queda do teto de um carro de queixo no asfalto, assunto para outro post. Não me lembrava da cara da morte ser menor que uma unha e ter um par de assas. Em todas essas filosofias que fiz e refiz em uns 5 minutos, cheguei a conclusão: a diferença do Rio para a África é que aqui temos mais prédios. Lá morre-se por malária, aqui por dengue.

Durante esses 5 minutos de angústia eu já estava trancado no quarto vestindo uma camisa de manga comprida e uma calça. Depois de devidamente protegido, sai do quarto como se houvesse na sala um assassino a espreita. Me senti idiota, porque sempre acho idiota os caras que nos filmes de terror saem de onde estão escondidos para fazer sei lá o quê; e lá estava eu saindo para fazer sei lá o quê. Depois de verificar cada canto da sala, desisti. Meu serial killer já havia fugido.

De volta ao quarto, resolvi levantar um boletim médico e descobri que a manifestação da doença demora entre 2 e 15 dias nos homens. Bem, hoje é terça-feira e já se foram mais de 4 dias - incluindo um de bebedeira - e nada. A verdade é: eu ainda estou aflito! Afinal, durante esses 19 anos de poder imaginar o que quiser, nunca imaginei que poderia estar com dengue um dia e partir dessa para melhor. E do nada isso pode ser tornar realidade! Mas, acreditem, até me divirto com essa história.

Bem, muitos de vocês vão concordar com minha namorada quando diz que eu exagero nas coisas. Para vocês que concordam com ela, vou dar razões para concordarem mais ainda. Primeiro, não sei se era mesmo o Aedes aegypti, o pequeno assassino, que me picou. Segundo, acho que ele não me picou porque, depois, não coçou onde ele estava. Terceiro, li que demora alguns dias para o mosquito ser capaz de realmente transmitir a doença. Mas, ainda assim é tensa a situação. Então, se daqui a alguns dias vocês não me virem por aqui, procurem em algum jornal, ou revista, ou, na pior das hipóteses, obituário. É certo que me encontrarão.

Tocado o meu terror e me divertindo por vocês terem acreditado, despeço-me! Au revoir!

PS.: Hoje vi outro Aedes nas costas de um cara lá na xerox da faculdade. O que fiz? Corri para casa, claro!

13 de abr. de 2008

Momentos de reflexão I

O Bicho - Manuel Bandeira

Vi ontem um bicho
Na imundície do pátio
Catando comida entre os detritos.

Quando achava alguma coisa,
Não examinava nem cheirava:
Engolia com voracidade.

O bicho não era um cão,
Não era um gato,
Não era um rato.

O bicho, meu Deus, era um homem.


Como vocês podem perceber o título e o poema são auto-explicativos. Parem um pouco para pensar.

Mas aí você, leitor seletivo demais com o que lê, sem pensar, já irá dizer: “Ih... mas um querendo me conscientizar. Gente chata!”

A questão aqui não é essa. Quero que você leia o meu texto e pelo menos tenha a mesma curiosidade que eu tenho em relação a esse assunto. Agora, se você se conscientizará ou não sobre isso, o tempo dirá.

Pois bem, eis o assunto: moradores de rua.

Você, leitor assíduo do nosso blog poderá até perguntar: “Ueh? Como ele falou sobre capitalismo em um dos posts e agora está falando sobre moradores de rua?” Parece contraditório. Mas não é, pois no post que eu falei sobre o capitalismo, argumentei sobre sua eficiência em quanto sistema econômico na sociedade. Não falei de bem - estar social ou algo do tipo. O capitalismo, assim como qualquer outro sistema econômico cria seus “monstros”. Mas isso não é assunto para este post.

O que me deixa mais intrigado sobre este assunto de moradores de rua é que me dá uma vontade de saber as histórias dessas pessoas. Quem nunca se deparou com um lhe pedindo dinheiro? Ou simplesmente na sua frente, catando lixo, dormindo, andando...

É só chegar perto de sua casa, na esquina mais próxima que certamente você irá se deparar com um: ”Ai tio me dá uma ajuda aí!”; “Moço, moço tem um trocadinho...?”

Às vezes não falam nada. Simplesmente observam.

O assunto encontra-se mais perto da gente do que pensamos.

Ficou mais próximo de mim ainda quando, certa vez, alguém virou pra mim e disse: “Ta vendo aquele homem ali?”. O homem catava alguns papelões pela rua. Eu disse: “O que tem?”. “Dizem que ele era muito rico e perdeu tudo.” E essa não foi a única vez que escutei isso.


Hoje, fico muito intrigado. Acho que todo mundo tem uma história, um brilho, algo a acrescentar. Toda vez que ando pelas ruas e me deparo com uma cena em que o protagonista não deveria ser um ser – humano, fico pensando: Qual deve ser a história dessa pessoa? Será que estou mais perto do que eu pensava de um milionário? Será que era rico? Tinha pai? Mãe? Tem irmãos? Estudou? Viu jogos do seu time? Brincou? Tem sonhos?

Pelo menos almoçou hoje........??? Almoçará amanhã....??


Parece história de mãe quando quer dar aquela velha lição de moral: “Tem gente que nem tem o que comer.” Isso é hoje para mim uma história, no mínimo, intrigante.

Percebo com muito mais maturidade que tem gente que realmente não tem o que comer, muito menos, se alimentar... de sonhos, esperanças... Apenas sobrevivem no dia-a-dia (enquanto podem).

As palavras de Manuel Bandeira nunca fizeram tanto sentido...

8 de abr. de 2008

Quartas Sempre De Cinzas

Hoje é um dia de merda. Calma, não estou tendo um dia ruim, não briguei com meus amigos, minha namorada não me traiu, não aconteceu nenhuma catástrofe. Ou melhor, aconteceu uma, hoje é quarta-feira, dia do deus Mercúrio.

Vou falar, se tem um dia da semana que eu odeio mais é a quarta-feira. Todo mundo se amarra em odiar a segunda-feira, porque é o começo da semana e uns até preferem que a segunda seja feriado. Mas aí o que seria da terça, um dia tão pacato? Mas vocês vão dizer que quarta também é um dia pacato. Mas não é! E, acreditem, não sou só eu que acho isso. Eis, então, meus 6 motivos para odiar os dias como hoje:

1 - Você não está perto de nada, é o meio. A semana já começou faz tempo mas ainda está longe de acabar, ou seja, você está afogado nos trabalho e longe daquela cervejinha com os amigos.

2 - Hoje, todos os problemas e preocupações que pareciam tão distantes quando você acordava na segunda, agora estão bem aí, na sua frente. Então, quarta-feira é como o Dia Universal De Resolução De Pepinos Deixados Para Serem Resolvidos Em Cima Da Hora (pior que nome de igreja evangélica isso).

3 - Quartas, junto com as segundas, são os dias mais escolhidos para termos cursos de outras línguas. Agora, começando o inverno, como sair de casa no frio e no meio da semana para assistir uma, eu disse UMA, aula de apenas uma horinha!?

4 - Como está subentendido no título, o dia de mais ressaca e mais triste do ano é em uma quarta-feira. A tão odiada Quarta-Feira de Cinzas. Portanto, as outras estão imbuídas de carregar o fardo dessa data tão melancólica para os amantes do carnaval, assim como eu.

5 - Nos últimos anos, todas as piores aulas que tive foram nas quartas. No Anchieta, as aulas de tarde, incluindo uma dupla de História, eram na quarta. Na faculdade, já tive matérias insuportáveis como Informática I, Cálculo II, Física XVIII e Física XX neste dia.

6 - As horas sempre passam mais devagar. Isso porque, a única chance de termos um evento bom, é quando temos o nosso Mengão num estádio lotado à noite. Daí, a espera pelo show de bola é um tanto quanto longa, principalmente em dias de jogos decisivos como hoje. Falando nisso, já sonhei o resultado e hoje é 2 a 1 pro meu Flamengo lá em cima do morro. Marcinho faz um gol, não lembro de quem é o outro.

7 - Para as mulheres, o item acima pode ser considerado um dos motivos para odiarem hoje. Eu sei que falei que ia citar somente 6 motivos, mas, esse sétimo motivo, é faz parte só dos outros.

Com todo o respeito as minhas leitoras, enquanto escrevia este texto, procurava no Google o que seria a imagem para ilustrar o post o primeiro link foi um texto no Terra que até deu uma graça a mais a esse dia. Ou até não, já que, como é quarta, hoje é dia de dar tudo errado mesmo. Como o dia é chato, o texto é chato e fim de papo.

PS.1: Se sua namorada, peguete, ficante ou sexo casual, assistiu Juno, CUIDADO! Fiquei de olhos abertos quando minha namorada foi a terceira mulher a vir me falar, mesmo que brincando, que o filme às vezes deixa com vontade de ter filhos. Mas, como toda brincadeira tem um fundo de verdade...

PS.2: Se liguem lá no Pontodvista porque, se ainda não atualizaram, vão atualizar minha coluna hoje, neste dia de merda, por lá.

PS.3: Resolvi olhar os outros dias lá no site do Terra e descobri que sexta deve ser um dia engraçado!

6 de abr. de 2008

Aqui jaz seu filho, futebol.

Peço desculpas a você leitor, mas o futebol é um assunto muito presente na minha vida. No entanto, o que venho aqui tratar não é nada interessante, muito menos feliz. Hoje, o futebol carioca, talvez brasileiro, acordou de luto. O dia de ontem, 05 de abril de 2008, entrará para a história, como o dia em que um dos mais nobres filhos do futebol chegou ao fundo do poço. O América-RJ apesar de ter feito o dever de casa e ganhar do friburguense por 2 a 0, dependia de outros resultados para não cair, o que não aconteceu.

O América Football Club do Rio de Janeiro caiu para a segunda divisão do futebol carioca.

Bem, para aqueles que não gostam do futebol ou simplesmente acompanham de vez em quando, isso pode não representar absolutamente nada. Porém, para aqueles que são apaixonados, como eu, ou simplesmente gostam do esporte, é uma tragédia anunciada.

Posso até parecer sensacionalista demais com o assunto, mas, de fato, o futebol está quase perdendo um filho.

Fundado em 1904, o América coleciona alguns feitos em sua história: 7 Campeonatos Cariocas (1913, 1916, 1922, 1928, 1931, 1935, 1960), Taça Guanabara (1974), Taça Rio (1982), Torneio Costa Dourada na Espanha (1983), Terceiro Colocado no Brasileirão (1986), entre outros.

O clube ainda conta com um acervo de grandes jogadores que participaram de sua gloriosa história, entre eles, Jorginho, Djalma Dias, Edu Coimbra e, atualmente, Válber.

Inexplicável. O incrível nessa história é que o time vinha numa boa campanha no futebol carioca. Em 2006, ficou em terceiro lugar no geral, chegando a disputar o título da Taça Guanabara com o Botafogo. No entanto, pagou pela incompetência. Nesse ano de 2008, o América pagou por todos os seus pecados. No início do ano, abriu mão da pré-temporada para disputar um torneio contra times noruegueses. Fez uma campanha desastrosa na Taça Guanabara, ganhando apenas 1 ponto em 7 jogos. Precisava de uma campanha brilhante na Taça Rio, que não veio, perdendo pontos decisivos em jogos importantes. Isso, e mais outras tantas coisas fizeram do América uma vítima.

Coincidentemente, há vinte anos atrás, em 1988, o time cairia de divisão no campeonato Brasileiro e nunca mais retornaria a elite.


Aqui jaz um dos times mais gloriosos do futebol.


Esperamos que as coisas mudem. Esperamos que o clube se levante novamente e volte a compor o lugar que realmente lhe pertence: a elite do futebol, que, aliás, é um lugar de onde ele nunca deveria ter se retirado. Como diz a brilhante letra do hino do América: “Hei de torcer, torcer, torcer...Hei de torcer até morrer, morrer, morrer...”

OBS: A letra de um dos hinos mais lindos do futebol mundial, escrita por Lamartine Babo:

Hei de torcer, torcer, torcer...
Hei de torcer até morrer, morrer, morrer... Pois a torcida americana é toda assim
A começar por mim
A cor do pavilhão é a cor do nosso coração Em nossos dias de emoção
Toda torcida cantará esta canção
Tra-la-la-la-la-la
Tra-la-la-la-la-la
Tra-la-la-la-la

Campeões
de 13, 16 e 22
Tra-la-la
Temos
muitas glórias
E surgirão outras depois
Tra-la-la
Campeões
com a pelota nos pés
Fabricamos aos montes, aos dez
Nós ainda queremos muito mais
America unido vencerás

3 de abr. de 2008

Utopia Imortal

ATENÇÃO: Este post é uma resposta ao post do Luis. Portanto, é melhor lerem o post dele antes do meu.

Meu post serve para demonstrar o principal objetivo desse blog, criar um diálogo entre eu e o Luís e, conseqüentemente, entre nossos leitores. Então vamos ao bate-boca.

Quem me conhece sabe que sempre fui mais partidário da esquerda. Não por acreditar nos antigos sonhos de tocar o puteiro e romper com o FMI, não pagar a dívida externa, ser anti-EUA e todo esse papo de estudante de geografia. Prefiro a esquerda pela opção de dar mais importância ao tratamento do outro do que ao manuseio do dinheiro e a estabilidade econômica. Sei que isso não tem muito a ver com a questão do capitalismo economicamente falando. Só deixo isso como introdução para entenderem melhor meus pontos de vista.

Primeiro, acho que delimitar o mundo em capitalista e socialista, hoje, já não faz mais sentido. Essa barreira foi rompida, simbolicamente, claro, com a queda do Muro de Berlim. Hoje, o que vivemos é um momento pós-guerra fria onde o melhor não é o capitalismo puro. E nem o socialismo puro.

O grande erro de Marx foi achar que cada um se comportaria de forma exemplar. Achar que todas as opiniões seriam comuns, que todas as vontades seriam as mesmas. No socialismo, não há como disfarçar a insatisfação popular com o governo. Muitos consideram isso falso por, até hoje, só termos visto a fase inicial do socialismo que é a ditadura do proletariado. Mas, para os que não sabem, o socialismo não é só ditadura. No capitalismo, pode-se mascarar o descontentamento da população projetando cenários econômicos favoráveis, mas só no futuro, claro.

A maior diferença entre o capitalismo e o socialismo, que inclusive o Luis citou, é o dinamismo do primeiro. Sempre após uma crise, foi possível reestabelecer um novo mandante dos interesses globais. E assim, o sistema não se enfraquece, apenas se fortalece com a mistura de novos pensamentos diferentes. Com novos pensamentos, acham-se novas soluções e ganha-se uma nova sobrevida do modelo econômico.

O Luis falou sobre a questão de que, no capitalismo, temos a chance de evoluirmos no trabalho e ganharmos mais. Acho isso bom, pois é contra a mediocridade. Mas até onde isso é benéfico? Qual é o limiar entre o ganhar o que sustenta e o ganhar o que ostenta? O problema é a lei do 'quero ser o melhor' que atravanca o dinamismo social e gera a concentração de renda. Querer mais e mais. Eu, por exemplo, sempre digo que quero ganhar o suficiente para ter minha casa, poder ter um ou dois filhos e um carrinho legal. Quem acha isso hipocrisia é porque não me conhece.

Uma pessoa que retrata a alma do capitalismo, para mim, é um dos meus professores na faculdade. No primeiro dia de aula ele me vêm com a seguinte pérola: '- Para você ser feliz, você tem que ganhar PELO MENOS o dobro dos seus amigos.' Imagino meu pai ouvindo isso... Na hora, achei esse, e todos seus outros discursos ultra-direitistas, o absurdo do absurdo. O fato é que o capitalismo não nos influencia a não querer pensar. Vale muito mais a pena você gastar tempo gastando na Lojas Americanas e tendo seu bem físico na mão do que ser o mínimo humanitário e ajudar nos problemas do cotidiano coletivo e só poder ver o resultado depois de algum tempo.

Como tudo no mundo, a economia capitalista também faz uso da lei da compensação de que tudo no mundo tem o inverso. Se você está rindo, alguém está chorando. Se você passou no vestibular, alguém foi reprovado. Então, se alguém tem muito dinheiro e gasta com tudo o que não precisa, alguém não tem nada e não tem o que precisa. E é esse o meu maior incômodo com o capitalismo

Por fim, concordo com o Luis que não acho que o capitalismo moderno vai acabar. Ele é um senhor cheio de experiências com mais de 100 anos de vivências. Mas acho que existe uma alternativa. Entretanto, essa saída não virá com nenhuma palavra com o sufixo ismo. Ela virá quando termos a mínima ciência de que o dinheiro que entra no seu bolso saiu do de alguém e que o seu carro dos sonhos pode dar muitos jantares aos que só tem o café da manhã.

É, no final, parece que a utopia ainda não morreu.

PS.: Agora eu, Bernardo, também escrevo para o site Pontodvista e meu primeiro texto está lá já.