31 de mar. de 2008

Capitalismo e sua eficiência na sociedade


Quem leu meu antigo post do dia 09/03 viu que no meio do texto falo de um assunto que futuramente eu iria falar. Pois bem, a hora chegou. Você leitor pensará: “Lá vem mais desses papos chatos de futebol que eu não entendo nada!”. Se enganou. É lógico que o futebol se insere nesse contexto, porém o assunto que eu quero tratar é bem mais abrangente.

Venho aqui falar do capitalismo. E antes que isso cause alguma polêmica, quero lembrar que meu texto se prenderá ao lado econômico e não político que esse assunto pode vir a gerar.

Hoje, me declaro um capitalista. Gostaria de acreditar em um outro modelo econômico para a sociedade, mas não vejo alternativa. Tudo me leva a crer que o “capetalismo” (como diria um professor meu), é imbatível, por diversas razões. Historicamente falando, sabemos que o capitalismo já passou por inúmeras crises que poderiam por o modelo em cheque, como por exemplo, a crise de 29, no entanto, o modelo econômico capitalista soube passar por cima e mais, se desenvolver. Ainda no plano histórico, sabemos que países que adotaram modelos que não são capitalistas estão, hoje em dia, ou mal economicamente, ou já realizaram total ou parcialmente uma abertura ao mercado.

Sinceramente, acho, hoje, ilusório pensar que o capitalismo será superado facilmente. O modelo sabe trabalhar com as fraquezas do ser – humano: temos desejos, ambições, prazeres. Quem não anseia um trabalho melhor? Um carro melhor? Uma roupa melhor? É natural. Quem disser que não se encaixa nesse perfil, só porque é contra o capitalismo, para mim está mentindo. Por isso, acho muito errado quando criticamos alguém que trocou de emprego, ou, até no caso do futebol, um jogador que troca de clube por uma oferta melhor de salário. Além disso, nossas carreiras são curtas. Precisamos juntar o máximo de dinheiro possível para no futuro termos uma aposentadoria digna.

Seguindo essa lógica eu concordo plenamente com um amigo meu quando ele diz: “Sou da tese consumista!”. E é verdade. Além dos anseios que temos, há um outro agravante nessa história. O trabalho. Seguindo outra lógica, a do texto do meu amigo Bernardo: “Ta no inferno, abraça o capeta!”. Você se mata de trabalhar todo dia, tem que sustentar uma família, doido para mudar de vida e comprar um carro novo e ainda vai ter tempo pra pensar? Vai curtir a vida! Passear com as crianças! Beber fim de semana! Comprar o que quiser! Vai gastar! Ter um conforto! As férias merecidas! E no fundo queremos é isso mesmo. No fundo, somos todos um pouco capitalistas.

O que pode ser questionado é a exploração e a desigualdade. Tudo bem, nesse ponto eu não discordo. Existe e muita. Mas meu objetivo aqui também não é discutir exploração. Estou discutindo eficiência de um modelo econômico, e não, bem – estar social ou algo parecido.

Pode ser que daqui alguns anos eu “queime minha língua”. Pode ser que tudo isso acabe, o modelo se arruíne e uma sociedade mais “justa e igualitária” se instaure, como diria alguns. Mas, falando por hoje, eu não vejo alternativa. Não porque estou acomodado, ou não quero que a situação mude. Pelo contrário. “Se é para o bem de todos e felicidade geral da Nação...” temos mais é que achar uma alternativa mesmo. Como diria Albert Einstein: “Algo é só impossível até que alguém duvide e acabe provando o contrário.” A questão aqui é que se deve ter muita consciência ao falar da eficiência deste modelo e a razão deste conseguir se manter por tantos anos na história. Não é para qualquer um não!

28 de mar. de 2008

Como Ir Para O Inferno Em 7 Passos

Se você é cristão o suficiente para acreditar em Deus, então é certo que você tem que acreditar no Diabo também. Porque tudo na vida é construído por antíteses. Sendo assim, existe o inferno e ele está mais perto do que imaginamos.

É fato que o inferno não é só um lugar cheio de foguinho e de gente sendo torturada. O inferno com certeza é dividido em várias jurisdições e muitas delas estão aqui, em nossa vida terrena. Dentre muitos, cito alguns: Faixa de Gaza, países africanos com guerras civis, Haiti, Índia com aquele mundaréu de gente, região agrícola da China. E, no Brasil, nossas favelas famosas como Morro do Alemão, Morro do Vidigal, Rocinha, Morro do Estado (Niterói), Morro do Dedé (Friburgo), entre outras.

Além destes existem os infernos pessoais como, por exemplo, dias de calor de 40°C e aula no Instituto de Matemática da minha querida UFF.

Assim, com tanta proximidade do inferno, acho que brincar com um (ou uns) dos temidos sete pecados capitais não atrapalha ninguém. E é no estilo 'está no inferno, abraça o capeta' que elaborei essa listinha de como ir para o inferno em 1 de 7 passos ao modo século XXI:

Passo n° 1: Gula - Cara, hoje em dia é fácil essa, vai. Vai no Massa's Castel em Friburgo ou no Porcão no Rio e tá lá, come até não agüentar mais. Sinceramente, quem vai pra rodízio não é pra comer o normal. Todo mundo vai para perder a linha e no final ficar falando: '- Porra, acho que exagerei na dose.'.

Passo n° 2: Avareza - Senta na frente da sua televisão durante o intervalo do Jornal Nacional e da novela das oito. Pronto, já está aí. É impossível você não pensar: '- Queria ser rico pra ter um carro assim...'. Ou, no caso das mulheres: '- Se eu tivesse dinheiro faria uma plástica pra ficar com a boca igual a dessa atriz...'.

Passo n° 3: Inveja - Posto 9, Ipanema, Rio de Janeiro. Meu amigo e minha amiga, se você, assim como eu, não é dotado(a) daquele corpinho sexy e tudo mais, esteja lá que você vai entender o que é inveja. Eu sou feliz com minha condição física, mas lá é complicado você olhar pros caras fortões e não pensar: '- Podia ser um pouquinho maior só...'. O mesmo vale com as mulheres em relação a tamanho de peito, quantidade de celulite, essas coisas.

Passo n° 4: Ira - Este para mim é jogo rápido. Basta ver um jogo em que meu Flamengo jogue mal e aconteça atrocidades como o Toró isolando um banderinha e está feito. Mas a ira pode ser despertada por coisas menores como seu namorado(a) que saiu com os(as) amigos(as) sem avisar, seus pais te proibindo de fazer qualquer coisa, entre outras preocupações juvenis.

Passo n°5: Soberba - Recaba alguns vários elogios de desconhecidos e é certo que você não vai nem pensar em humildade depois. Esse passo está bem ligado aos que provocam a avareza, já, que ter o carro do ano ou a bundinha em pé rende muitos elogios hoje.

Passo n°6: Luxúria - Prazeres carnais, né!? Isso é fácil... No desejo, é só juntar um dinheirinho e partir pra algum cabaret ou inferninho da vida. Ou talvez você nem precise gastar tanto. Basta ir a alguma dessas festas e é fava contada encontrar alguém mais alcoolizado que topará ir pra tua casa em dois tempos.

Passo n° 7: Preguiça - Alguém consegue acordar numa segunda-feira pensando: '- Que legal, hoje tenho que trabalhar!'? A preguiça, hoje, para muitos já é um estado latente de espírito nos dias que sucessedem a ressaca dos finais de semana. Então, para completar esse passo, basta você acordar numa segunda-feira.

Não são necessários completar os 7 passos para garantir sua entrada de primeira classe para o lar do capeta. O mais provável de acontecer é você terminar de ler esse texto e pensar, assim como eu, que você já estava com vaga garantida em algum das muitas caldeiras de lá e não sabia. Então, queridos irmãos, nos encontramos no inferno. Até lá.

PS.: Se você não for pro céu, Satanás CRÉU!

25 de mar. de 2008

Agora é passado.

E nem tudo são flores...

O ano de 2001 havia chegado. De uma maneira mais do que inesperada os Raimundos anunciam seu fim.

Como eu havia dito anteriormente, a história desta banda é um tanto quanto irreverente. E estava certo. Rodolfo Abrantes, o vocalista, anuncia que estava se despedindo da banda e iria virar evangélico.

Admito que na época que isso aconteceu eu critiquei muito sua decisão. Garanto que eu e grande parte dos fãs que foram pegos de surpresa. No entanto, retorno a este assunto, não para criticar sua atitude, até porque este assunto daria pano para manga (posso até falar sobre isso numa outra oportunidade), mas para criticá-lo como pessoa. Tudo bem, se converteu, mudou de vida, saiu de uma banda, tentou fundar outras, tentou carreira solo. Sem problemas. Para mim, o maior problema foi o fato de que Rodolfo negou todo seu passado nos vocais dos Raimundos.

Veja uma de suas entrevistas.

Os fãs gostavam da banda como ela era. Se ele falava mentira, cantava palavrões, besteiras, não importava.

No mesmo ano de 2001 ainda lançam um CD intitulado Éramos 4 (uma brincadeira fazendo alusão a saída de Rodolfo). Depois, ainda lançam outros dois CDs. Nenhum deles foram sucesso.

Na verdade ninguém sabia se a banda continuaria a tocar.

Enfim, continuaram. Sabe-se que, atualmente, infelizmente, sofrem uma baixa de popularidade. Os Raimundos nunca mais foram os mesmos. Confesso que também parei de acompanha-los. A última formação que tenho notícia é de Digão nos vocais, Canisso no baixo, Marquim na guitarra e Caio na bateria.

Não que esta atual formação seja ruim. Pelo contrário. Devem ser até grandes músicos. No entanto, os fãs sentem saudade daquela irreverência engraçada que só eles tinham.

18 de mar. de 2008

Não Existe Pecado Ao Norte Do Equador

Um dos destinos de 10 em cada 11 adolescentes que vão para a Europa é Amsterdã. Por que? Bem, aqui está uma reportagem que pode explicar um tanto quanto bem esse desejo juvenil. Além dos objetivos antigos, na reportagem falam sobre a nova modificação nas leis da Holanda. Agora, pode-se fazer sexo em parques.

Sempre gostei da Holanda antes mesmo de saber de tais concessões. Gostava por causa do famoso carrossel holandês, nome dado ao esquema tático da seleção da Holanda na Copa do Mundo de 1974, que tinha como mestre Cruyff. Além disso, sempre achei o uniforme da seleção um dos mais fodas do mundo. Inicialmente, meu apreço por este país se limitava ao futebol.

Depois, já mais crescido, ouvi falar sobre as libertinagens da terra dos grandes moinhos e daqueles mulheres com uns tamancões. Lembro, até hoje, durante algumas aulas do colégio, eu e meus amigos imaginando a Holanda como um oásis no meio de um mundo tão censurado, e de como seria o Brasil se fossem aplicadas as mesmas leis de lá aqui. Mas sempre chegávamos a conclusão que somos muito cabeças fechadas para tal evolução.

Eu digo evolução porque de fato é. Primeiro, por quebrar barreiras de preconceitos contra dois grupos sociais, os usuários de drogas leves e as prostitutas. Segundo, por mostrar que é viável abandonar certas crenças morais sem que seja instalado o caos entre a sociedade. Além disso, a idéia de viver em um país onde você é de fato livre, seja no seu sexo ou na sua droga leve, é muito poética.

A princípio, achei a idéia de liberação do sexo nos parques meio absurda, mas depois achei que faz sentido. Por várias razões. Vou citar algumas que, mesmo que vocês as considerem moralmente inaceitáveis, eu acho as mais relevantes:

* Você se incomoda de ver gatos, cachorros, macacos, entre outros bichos transando? Então qual o problema de ver outros dois animais fazendo o mesmo?

* Se você tem fetiche com lugares públicos, então a Holanda cabe no seu sonho.

* Se você, mesmo no Brasil, estivesse num parque grandão, a noite, sozinho com sua (seu) namorada(o), vai dizer que você não tentaria algo mais? Quem tem carro sabe que de vez enquando rola umas escapolidas para lugares, digamos, ermos. Na Holanda, você iria poupar gasolina pelo menos.

* Cara, qual pai são que deixaria seus filhos irem brincar em um parque, lugar que depois de certas horas fica deserto, a noite?


Acho que criticar a postura da Holanda perante esses 'prazeres da vida' é sina de um país onde reina o falso moralismo e os questionáveis bons costumes. Aqui é assim, todo mundo fala de sexo como se fosse a coisa mais absurda do mundo, mas, no fundo, resta sempre aquele sentimento selvagem neanderthal de querer acasalar com todas e todo tempo. E nem falo sobre as drogas, sobre o que a televisão defende. Sobre a relação entre drogas e televisão, deixo para um futuro post.

See you in Amsterdan!

16 de mar. de 2008

Pela foto vocês já devem desconfiar do que eu irei falar: uma passagem rápida pela história dos raimundos e as peculiaridades que cercam seus trabalhos.

Este meu assunto será dividido em duas partes. Na primeira, falarei do sucesso da banda, seu trabalho, o auge da carreira. Já na segunda, falarei da decadência da banda, a saudade dos fãs, a perda da popularidade e falarei, também, da conturbada saída do vocalista Rodolfo Abrantes.


Os Raimundos tem uma história dentro e fora dos palcos um tanto quanto irreverente. Surgiram no ano de 1987 em Brasília e, no início, eram apenas uma simples banda cover do Ramones, mas nada muito sério.

Em 1990, resolveram acabar com a banda. Vale lembrar que nessa época a banda ainda não tinha aqueles integrantes conhecidos, que alcançaram o sucesso. Essa formação só foi acontecer em 1992 quando a banda resolve voltar a tocar junta novamente. E estava pronta para o estrelato com: Rodolfo Abrantes nos vocais, Digão na guitarra, Fred na bateria e Canisso no baixo.

Em 1994, lançam seu primeiro CD chamado Raimundos. Este álbum teve boa aceitação junto ao público.

Em 1995, vem o álbum Lavô tá Novo.


Além disso, ainda gravam Cesta Básica, em 1996.


Começam a partir daí a despontar. Participam de festivais e em 1997 gravam outro CD: Lapadas do Povo, que foi um dos álbuns menos vendidos da banda.


Em 1999, gravam seu disco mais vendido: Só no Forevis.


E chegaram lá! Estavam no auge de suas carreiras. Como bem disse Rodolfo Abrantes, ex-vocalista dos Raimundos, em entrevista, tinha todas as mulheres, tinha dinheiro etc.


Mas o que me motivou a escrever este texto não foi a história da banda, ou a biografia dos integrantes, mas seu trabalho. O que me cativava nos Raimundos era a irreverência que sempre os cercava. Suas músicas misturavam letras engraçadas (com alguns palavrões), com o peso do rock, e mais um pouquinho de música nordestina (que tinha um espelho na cultura familiar dos integrantes e, nas canções do compositor Zenílton). E essas sempre foram marcas dos Raimundos. Tanto são, que quando no mencionado álbum Lapadas do Povo os Raimundos tentaram deixar de lado músicas engraçadas e tentaram investir em peso e letras mais sérias, apesar de receberem boas críticas, o disco foi um dos menos vendidos da banda.


Para fechar com “chave de ouro” o auge de sua carreira, no ano 2000, os Raimundos lançam, junto com a MTV, o MTV ao Vivo Raimundos, que reúne todos os grandes sucessos (para mim, este é um dos melhores CDs ao Vivo de todos os tempos).


Como eu bem disse anteriormente, os Raimundos estavam fechando com “chave de ouro” o auge de sua carreira...


Nem tudo são flores...

11 de mar. de 2008

Lado B Do Rio

Eu, aos 19 anos de idade, descobri o Rio de Janeiro. O ano em que a vinda da família real completa 200 anos e a cidade completa seus 443 anos será comemorado, por mim, como início de uma paixão fulminante. De certo que não nego as suas mazelas. Tráfico, mendigagem, violência, poluição entre tantas outras coisas atrapalham o viver do carioca. Mas é a partir dessas mazelas que o Rio faz com que você se perca de amores por esta cidade realmente maravilhosa.

Conhecia o Rio somente de dia. Sabia das praias, dos shoppings, dos passeios na Lagoa e só. O vetor por onde veio toda a revelação da outra face carioca só podia ser um: Lapa. Não foi a primeira vez que visitei o bairro boêmio do Rio, mas das outras 2 experiências, em nenhuma entrei em transe tamanha quanto a da sexta-feira passada.

Não fui movido por bebida ou outras drogas mais. Fui infectado pelas cenas que saltavam que só os que têm olhos de poeta podem perceber. Para amantes do samba, como eu, só o fato de andar na Lapa já emociona. Conviver com a idéia de que na mesma rua apertadinha, calçada com pedra-sabão, ladeada pelos lindos sobrados, andaram tantos mestres meus foi única. Juro que, em um momento de confidência minha com a madrugada, olhei a minha sombra do mesmo jeito que tantos outros bambas olharam para as suas: com amor.

A Lapa não tem dono, é terra de ninguém. Não segue estética nenhuma. Na simples caminhada que dei dos Arcos ao Beco do Rato, deparei-me com pessoas independentes de convenções e fiéis a suas próprias doutrinas. O som da Lapa não é único. É o berço do samba, assim como do funk, do hip-hop, do rock e de outras coisitas mais. Na Lapa não cabe preconceito.

Não há distinção de nada. Credo, raça ou cor. Acredito que a Lapa seja o único lugar onde se mescla comunismo, anarquia e capitalismo sem nenhuma explosão. Você pode falar, claro que com alguma noção, com a mocinha ou o bandido sem perceber que corre o risco de apaixonar-se ou ser assaltado.

Apesar de ter usado tantos nãos no meu texto, a Lapa é a terra do sim no Rio de Janeiro. Onde tudo é permitido e onde tantas histórias são escritas e reescritas em paralelo, começando todas de um ponto em comum, o lugar. A outra face do Rio não é perigosa ou violenta como muitos desenham. A outra face do Rio de Janeiro não é nada mais nada menos que a subversão da subversão. E eu gosto é do estrago mesmo.

9 de mar. de 2008

Jogador de futebol + microfone = Show garantido


"Quero agradecer, primeiramente, a Deus pela oportunidade de escrever esse texto. A minha família que me dá muita força para continuar a escrever. Queria agradecer ao carinho do pessoal que leu minha última postagem. Agradecer, também, a todos meus companheiros que lutaram junto comigo. E é isso aí! O professor disse pra gente levantar a cabeça e ir em busca de um novo texto.".

Notaram algo peculiar no meu discurso de agradecimento?

É isso mesmo! Assemelha-se a uma fala de um jogador de futebol. E eu fiz isso de propósito, para introduzir meu novo assunto. Este mesmo: entrevistas de jogador de futebol.

E este assunto me irrita porque é sempre a mesma coisa. Há uma total falta de conteúdo, muitas vezes com erros gritantes de português. Parece que existe uma cartilha para ser seguida à risca. Já até sabemos.

Véspera de jogo: “É uma equipe forte. Temos que respeitar...”

No dia do jogo: “O professor passou pra gente o que queria e esperamos fazer um grande jogo e sair daqui com a vitória e os três pontos...”

Depois do jogo: “O time foi bem... ta de parabéns...”, ou então: “O time errou muito o último passe... o time estava nervoso... mas bola pra frente e agora é pensar no próximo jogo...”

Chaaatoooo...

Agora para me irritar mesmo é isso: Apresentação do jogador no clube: depois de beijar o escudo, diz: “É uma honra defender este clube. É um sonho de infância... Torço desde pequeno... Meu filho torce para este clube...”

É complicado porque dali a um tempo esse mesmo cidadão vai andar em campo, não vai ajudar seu time, sem sangue nenhum, ou no departamento médico inventando contusão (a famosa turma do “chinelinho”), ou ainda indo jogar no exterior se receber uma proposta melhor (nesse caso eu nem condeno o jogador, falarei isso até em um dos meus tópicos futuros, no entanto, acho que não tem a necessidade de declarar amor ao clube então, nem muito menos, beijar o escudo).


Por isso que eu admirava alguns jogadores como Romário e Vampeta, entre outros.

Não seguiam uma regra para darem entrevistas. Não eram daqueles tipos de jogadores que falavam sempre a mesma coisa e iam embora. Tinha na manga uma descontração, irreverência, às vezes, ironia, sarcasmo. Eu ficava assistindo só pra ver o que eles iam falar.

Quem não lembra daquela célebre frase do baixinho Romário: "O cara nem entrou no ônibus ainda e já quer sentar na janela", em referência ao técnico Alexandre Gama, do Fluminense, que o tinha barrado.

Ou a melhor de todas: "Quando eu nasci, Papai do Céu apontou o dedo em minha direção e disse: esse é o cara."

E o Vampeta chamando os são-paulinos de “bambis”.

Sensacional!!!


Ainda nesse assunto, temos também as entrevistas que tentam ser sérias, porém nascem as maiores pérolas do futebol.

“Tudo se resume em duas palavras: A ZAR.”
“Tenho o maior orgulho de jogar na terra onde Cristo nasceu.” Um jogador disse ao desembarcar em Belém do Pará.
“Quando o jogo está a mil, minha naftalina sobe.”


Agora me diga uma coisa: Um cara que escreve sobre futebol, de vez em quando, poderia deixar de citar um assunto desce numa mesa de boteco? Absolutamente não. É um assunto chato, porém muito engraçado. “Seria cômico se não fosse trágico”.


Ah! Para terminar gostaria de dizer que: “O professor conversou com a gente aí e estamos motivados. O time ta bem treinado e vai fazer de tudo para que a gente consiga escrever bem no próximo assunto!”


PS: Parabéns as mulheres pelo dia de ontem (dia 08 de março), Dia Internacional da Mulher.

6 de mar. de 2008

Sem Fominha

Ainda no embalo do último tópico do Luís, vou falar sobre comida aqui. Mas antes, ainda sobre o tópico dele, queria resaltar que realmente achei o texto genial e queria mesmo ter escrito ou pelo menos ter tido a idéia do texto. Meus parabéns. Enfim, vamos ao prato principal.

Alimentação sempre foi um assunto muito freqüente na minha vida. Quem me conhece até pode achar isso errado pelo meu, digamos, elegante porte físico. Mas justamente por isso comida é um assunto recorrente no meu dia-a-dia. Principalmente os dias em que o Luís e quase todos os meus outros amigos tiram para fazer chacota de que eu não como nada, que tenho estômago de passarinho etc. Por ser um assunto tão impactante em mim, resolvi discorrer aqui todas as minhas filosofias sobre hábitos alimentares e afins.

Primeiro de tudo, quero dizer, em alto e bom som, não há maior perda de tempo do que o ato de comer. Cara, o que você faz enquanto come? Nada. Nem pensar você pensa. Você fica só ruminando mentalmente: '- Hum, que comida boa...' ou '- Hum, que comida merda...'. Eu gosto da situação da mesa com família e tal, mas anseio muito as tais pílulas alimentares que já vimos tanto em filmes futuristas. Mas já falei com meu pai, vou conservar o hábito de sentar-se à mesa com minha família. Mas vai ser meio como uma missa nada solene onde todo mundo conversará, mas, depois, uma pausa para engolir a dose de comida e dar um gole no copo com água.

Além disso, existem duas coisas sobre os hábitos alimentares alheios que não entram na minha cabeça. Uma é dieta. Velho, como as pessoas sofrem com dieta. Tanto as por saúde como as por estética. Lá em casa rola um controle brabo com o colesterol do meu pai. Fiquei com pena dele quando li outro dia que descobriram que o ovo não aumenta o colesterol, pelo contrário, ele diminui. Fiquei com pena dos gordinhos (futuro tópico meu) também quando li que ovo emagrece, e não engorda como se pensava. Imagina, quantos prazeres, sejam em omeletes ou mexidinhos, não foram privados desses mártires?

Agora, o que eu fico puto, mas puto mesmo, é com o vegetarianismo. Sério, isso eu não consigo entender. Cara, não dá. Primeiro porque tenho certeza que uma grande parte dos vegetarianos não o são por filosofia, mas sim por quererem emagrecer. Segundo, mesmo que venham falar que não gostam de sofrimento dos bichos também não cola. Procurem em qualquer livro de ciências o que são seres vivos. Entre os outros exemplos, certo que estarão animais EEE plantas. Ah, mas é fácil comer plantas já elas não choram, não berram, não geram filhotinhos bonitinhos pros nossos filhos pedirem de aniversário... Mas, pensem nisso, de certa forma, a seiva bruta ou elaborada pode ser o sangue verde.

Além disso, também acho um recalque ser vegetariano. É como um leão negar o que come. Somos o topo da cadeia alimentar, assim como o leão no seu ecossistema, e devemos nos comportar como tal. O único argumento coerente, para mim, dos vegetarianos, é dizer que a criação dos animais para o corte exige uma demanada de terra muito grande. Mas ainda assim vejo esse argumento muito mais como consciência ecológica tipo Greenpeace do que filosofia alimentar.

Tudo que penso sobre comida, por enquanto, está nesse texto. Qualquer novo manifesto de fato que será passado aos senhores. Mas, por fim, queria dizer que não sou um bicho que não sabe comer. Na dúvida, quem quiser me convidar pra um jantarzinho, estamos aí. Abraços e boa degustação.

4 de mar. de 2008


Estava eu, quase sem assunto para pôr em discussão nessa mesa, quando me veio a idéia: “Vou falar de futebol mesmo...”, mas logo desisti. Outra idéia: “Ah! Vou falar de literatura...”: “Não! Vou falar de política!”, mas nada me agradava. Até que lendo na internet uma matéria antiga de agosto de 2006 da Revista Ciência Hoje, resolvi falar sobre o assunto: Batata-Palha. Sim, Batata-Palha. Por que não?

Segundo a matéria: “Por aumentar a vida de prateleira de alguns produtos alimentícios e dar-lhes consistência mais agradável, a gordura vegetal hidrogenada tem sido cada vez mais utilizada pela indústria. Presente, por exemplo, em sorvetes, bolachas recheadas, chocolates, cremes e lanches do tipo fast food, ela contém ácidos graxos trans, que estão associados a males da saúde humana como doenças cardiovasculares e obesidade infantil. Apesar disso, seus teores não são indicados no rótulo da maioria dos alimentos industrializados”. Ainda segundo a matéria, “A presença dessa gordura em batata-palha vendida em pacote no município de Curitiba foi investigada..."
Viu? Acabamos de descobrir então que podemos estar correndo riscos.

E daí?

Nosso objetivo aqui não é o de dar conselhos e nem estimular um estilo de vida mais saudável pra ninguém. Esta matéria foi usada apenas como um estímulo para falar desse que é um dos alimentos mais coringas da mesa dos brasileiros (e delicioso também). Vou dizer até que virou um produto básico, assim como o simples arroz com feijão. Que comida não combina com batata-palha? Pense bem antes de responder! Porque eu vou dizer com certa segurança que nenhuma. E eu estou falando de comida mesmo. Não esses pratos finos (lagosta, caviar, essas coisas). Se bem que esses chefes de cozinha podiam inventar algum prato fino com a tal batata, se é que não existe. Tudo bem.

Arroz, estrogonofe e... Batata-palha.
Arroz, feijão,... e... batata-palha.
“A comida não rendeu? Não está descendo bem...” batata-palha!
“Não deu liga?” Batata-palha!
Feijão, farofa...batata-palha.
Salada, carnes, massas, tudo combina com ela!
Serve até como petisco. Por que não?
No cachorro-quente, no hambúrguer...
Prato principal, acompanhamento, sei lá, a batata-palha é insubstituível.

Doideira né? A gente aqui pensando no básico, mas o que não pode faltar, hoje, na mesa dos brasileiros é a batata-palha. Proponho até incluí-la na cesta básica.

A gente pensando no Ás, no coringa do baralho, até no coringa do Batman, mas coringa mesmo é a batata-palha! Entra em qualquer refeição!

É evidente que a matéria referida acima é respeitável. Existem os perigos de se comê-la. Mas se pensarmos bem, toda comida oferece riscos. Um exemplo? Até mesmo a indefesa alface pode apresentar resíduos de agrotóxicos e microorganismos causadores de doenças. A carne? Nem se fala! Tem muita gordura. E por aí vai...

O negócio é aproveitar! Batata-palha!

Aí me vem um desavisado e diz: “no Brasil tudo acaba em pizza mesmo!”. Não! No Brasil tudo acaba em Batata-palha! Pode ver. Ah! E se acabar em pizza mesmo, peça pra mim com muita batata-palha, por favor!

1 de mar. de 2008

Cabelo, Cabeludo, Cabeleira, Descabelada

Por favor, não se assustem. Pois é, eu sei que é difícil não tomar um susto com a cabeleira de um dos jogadores mais trashes de todos os tempos, o colombiano Carlos Valderrama. Mesmo que pareça, não vou falar de futebol, meu assunto é outro. Como o próprio título já deixou um tanto quanto claro, que venham os cabelos.

O assunto veio como uma bomba em um dia só. Primeiro minha revolta com meu cabelo, depois o agrado com o cabelo da minha namorada. Ainda mais tarde, uma amiga me deu uma idéia de escrever sobre cabelo e outra me mostrou um post de um blog sobre os cabelos mais, digamos, íntimos. Impossível fugir.

Na sincera, quem nunca dá aquela olhadinha, ajeitadinha, apalmadinha na juba antes de sair de casa? Cabelo é quase um acessório que não compramos, que já veio implementado no corpo. O cabelo, presumo eu, deve ter sido o primeiro quesito de moda lá por entre os tempos dos Neanderthais. Será que já rolava algum tipo de alisamento naquela época? Enfim, de lá pra cá, vieram outras tantas mudanças e hoje temos 3000 novas variações de cabelos, cortes, desenhos, pinturas e por aí vai.

Quem tem o cabelo um pouco maior, como eu, é certo que já ouviu dos pais, ou dos avós, algo do tipo com todas as variações de eufemismo possíveis: '- Na minha época, quem tinha cabelo assim era vagabundo.'. O cabelo dos Beatles era subversivo para época. Imagina então o que não era falado dos cabeludos dos anos 70. Nos anos 80, para mim e acredito que para todos os dotados de bom senso, aquelas cabeleiras de todos os músicos, desde Bon Jovi a Menudos, era a coisa mais tosca do mundo! Os anos 90 foram marcados pelo corte infernal que me seguiu por anos, o asa-delta, e também pelos oxigenados dos pagodeiros de plantão. Chegava a ficar triste quando ia cortar cabelo e, ao ser perguntada sobre o corte, minha mãe falava: '-Asa-delta mesmo...'. Mas consegui emancipação e hoje sou um cabeludo feliz. Ah, quase que esqueço! E os mullets, hein!?

Fiz essa retrospectiva toda somente para chegar nos dias de hoje. E hoje, qual cabelo que marcam nosso pós-2000? Cara, não é por preconceito nem nada, mas é fato que são os emos e sua gigantesca paleta de tintas ganham tal título. Acho exagerado e desnecessário. Acho que o cabelo tem que ser do jeito que veio e ponto. Sem esses preceitos de que bonito é o que está moda. Se fosse assim, onde iam parar os cortes que considero normais e, ainda assim, belos?

O cabelo é cuidadosamente cultivado muito mais pelo sexo feminino, ainda. Acho que rola algum sentimento que é a mistura de ódio e amor entre as mulheres e o cabelo. E o pior, as vezes esse sentimento parece até ser recíproco. Isso sem contar o outro modismo, que pra mim é até uma lenda, de que bonito é cabelo liso. Para mim isso é muito mais um lance de negar origens, de não se aceitar, do que estética. Velho, porque a mulata, que já é linda por si só, tem que meter uma chapinha e depois soltar água oxigenada? Pra quê? Ah, tá na 'moda', né?

Não estou criticando a moda, mas sim quem a segue na demasia. Só não entra na minha cabeça fatos como esses que citei aqui. Tudo bem, que as vezes até eu, e acredito que tantos outros homens, entram em confronto direto com a cabeleira e isso me amedronta. Agora, além das mulheres, os homens também estão ficando paranóicos com a beleza capilar.

A síntese é: cabelo não é mais pêlo solto em cima da cabela. Agora ele é artefato de beleza essencial! Sou simples e fico feliz se lavo o meu todo dia, se ele não tem caspa e se minha namorada gosta. Assim, se pedirem qualquer conselho desse novo hairstylish já sabem o que vão ouvir. '-Deixa a juba assim que está tudo certo, está bonito, está beleza...'

PS.: Como sugestão, leiam o post 'O fantático mundo dos cosméticos' (09/11/2007), no blog Instante Posterior, do Bruno Medina, também conhecido como tecladista dos finados Los Hermanos.