21 de abr. de 2008

De Médico e Louco

Acredito que todos vocês tenham se lembrado do ditado 'de médico e louco, todo mundo tem um pouco' ao lerem o título desse texto. Eu sou um daqueles que concorda com esse e com vários outros ditados. Mas tem momentos que essa loucura pessoal alheia impressiona e vale mais uma frase recorrente em encontros nas mesas de bar com meu amigo e companheiro de blog Luis: 'Cara, tem nêgo muito doido nesse mundo!'.

As vezes a gente acredita que para todas as bizarrices e situações loucas existe um limite. Mas ontem, depois de assistir a uma reportagem no fantástico sobre um padre que queria bater o recorde de vôo com balões de festa, eu parei. Até o começo da reportagem tudo certo, mas eu fiquei impressionado com a seqüência: o padre voou e sumiu, está perdido. Dizem que talvez esteja no mar. Esse é a prova maior de outra frase famosa que nem sei se pode ser considerado um ditado: 'Quer aparecer pendura uma melancia no pescoço.'. Em tempos de mulher melancia essa idéia até que não cai tão mal. Mas enfim, isso não vem ao caso.

O caso é: qual o limite entre a loucura e a idiotice? Pego o padre voador como exemplo. O cara me resolve voar atrelado a 500 balões de festa para promover as ações Pastoral Rodoviária do Paraná. Cara, porque ele quis voar? Não seria muito mais interessante ele percorrer os não-sei-quantos quilômetros do litoral brasileiro numa bicicleta, já que ele faz missas nas estradas? Depois dessa pergunta me veio outra, como será a comunhão nas suas missas? Quero ver ele sair molhando pão no vinho e dar para os caminhoneiros. Os caras já vão estar travados dos remédios que tomaram para não dormir e ainda vão tomar um vinhozinho pra ficar no brilho! Combinação tensa...

No último tópico eu falei que quase morri quando caí do teto de um carro direto com o queixo no asfalto. A história foi: sai da festa de formatura do um amigo e todo mundo entrou no carro. Eu, já mais 'alegre', vendo que não havia espaço no carro resolvi, genialmente, pensar: 'Porra, vou agarrado no teto! Se todo mundo faz isso nos filmes, por que eu não posso?'. Para quê... Na primeira freada já trepidei e na segunda fui direto ao chão. Na hora todo mundo falou que fui louco, maluco, essas coisas, mas, na verdade, fui idiota assim como o padre voador. Porra, porque não pensei um pouco e esperei outro carro?

Agora, o problema é quando neguinho morre nessas idiotices. O padre, que levava consigo um celular, já ligou para alguém avisando que não havia morrido, mas que precisava de instruções para o operar o GPS que possuía e dizer onde estava. Sorte dele. Agora, imagina se ele caísse no meio do mar e ficasse de companhia para os tubarões? Certo que ele viraria algum tipo de lenda local. Não intenção do ato que fez, mas sim pela quantidade incontável de inteligência presente no seu plano. Ou seja, ganharia a fama por sua idiotice!

Para mim, a diferença entre loucura e idiotice é o saber medir as conseqüências de atitudes como resolver bater o recorde de vôo com balões de festa! Mas, ainda assim, sou teólogo de que todos nós somos além de médicos e loucos um pouco idiotas.

PS1.: Piada tosca feita após a exibição da reportagem no fantástico: 'É esse padre aí foi, literalmente, para o Reino dos Céus.'

PS2: Feliz dia de São Jorge, nosso santo guerreiro, nessa quarta-feira para todos os adeptos do rapaz.

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