Desde o começo dessa epidemia pela cidade, que eu já venho carregando no bolso o meu pessimismo. Sempre acho que alguém que conheço vai pegar dengue ou, na pior das hipóteses, eu pegarei. Isso foi reforçado pelo fato de um amigo já ter contraído a doença antes mesmo desse surto no mês de março e abril. Foi antes do carnaval até e, só para constar, ele está vivo! Ah, e teve uma amiga de faculdade que pegou, mas sobreviveu também. Enfim, vamos ao meu caso.
O inferno térmico que só existe em Niterói estava mais do que presente na tarde de quinta-feira última. Por não ter nada o que fazer, resolvi jogar um play2 de leve, só pra relaxar. Na sala, onde fica o video-game, o ventilador estava quebrado, então tive que ficar sem camisa para tentar amenizar o suadeiro. Talvez, esse ato virá a ser um erro fatal.
Enquanto fazia as curvas certinhas no Need For Speed, senti alguma coisa no lado esquerdo da barriga, um pouco acima do osso da bacia. Esperei chegar até uma reta no jogo para ver o que era e quando virei a cabeça estava lá o maldito. Era pequeno, mas maior dos que os mosquitos que vejo e eu juro que ele tinha perninhas brancas! No desespero instintivo dei-lhe um tapa, mas o demônio fugiu e sumiu. Daí veio o desespero.
Nunca imaginei que meu segundo cara-a-cara com a morte seria através medidas tão desproporcionais - o primeiro foi uma queda do teto de um carro de queixo no asfalto, assunto para outro post. Não me lembrava da cara da morte ser menor que uma unha e ter um par de assas. Em todas essas filosofias que fiz e refiz em uns 5 minutos, cheguei a conclusão: a diferença do Rio para a África é que aqui temos mais prédios. Lá morre-se por malária, aqui por dengue.
Durante esses 5 minutos de angústia eu já estava trancado no quarto vestindo uma camisa de manga comprida e uma calça. Depois de devidamente protegido, sai do quarto como se houvesse na sala um assassino a espreita. Me senti idiota, porque sempre acho idiota os caras que nos filmes de terror saem de onde estão escondidos para fazer sei lá o quê; e lá estava eu saindo para fazer sei lá o quê. Depois de verificar cada canto da sala, desisti. Meu serial killer já havia fugido.
De volta ao quarto, resolvi levantar um boletim médico e descobri que a manifestação da doença demora entre 2 e 15 dias nos homens. Bem, hoje é terça-feira e já se foram mais de 4 dias - incluindo um de bebedeira - e nada. A verdade é: eu ainda estou aflito! Afinal, durante esses 19 anos de poder imaginar o que quiser, nunca imaginei que poderia estar com dengue um dia e partir dessa para melhor. E do nada isso pode ser tornar realidade! Mas, acreditem, até me divirto com essa história.
Bem, muitos de vocês vão concordar com minha namorada quando diz que eu exagero nas coisas. Para vocês que concordam com ela, vou dar razões para concordarem mais ainda. Primeiro, não sei se era mesmo o Aedes aegypti, o pequeno assassino, que me picou. Segundo, acho que ele não me picou porque, depois, não coçou onde ele estava. Terceiro, li que demora alguns dias para o mosquito ser capaz de realmente transmitir a doença. Mas, ainda assim é tensa a situação. Então, se daqui a alguns dias vocês não me virem por aqui, procurem em algum jornal, ou revista, ou, na pior das hipóteses, obituário. É certo que me encontrarão.
Tocado o meu terror e me divertindo por vocês terem acreditado, despeço-me! Au revoir!
PS.: Hoje vi outro Aedes nas costas de um cara lá na xerox da faculdade. O que fiz? Corri para casa, claro!
15 de abr. de 2008
Eu e o Mosquito
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4 comentários:
DRAMÁTICO!!!!!
hehehehe...
putz..
concordo com a sua namorada...exageraaaaaaado...hahaha
seu louco psicopata dramático e exagerado! te amo, hehe
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