20 de fev. de 2008

Nova Maturidade?

Ao nascimento do primeiro fio de barba no queixo, o pai decretava na hora: 'Vamos ao puteiro!'. Lá, escolhia a profissional mais cara, mais bonita, mais mais, para que a transição de menino para homem se desse da melhor maneira possível. Então, quem entrou uma criança, sai do bordel como um homem pronto para vencer na vida.

Cenas como essas sempre foram, e ainda são, comuns. Pode ser considerado um rito, evento, uma revolução na vida de algum jovem, que marca sempre a maturidade repentina. Mas, para mim, hoje, o que marca a mudança de estágio na vida de todos, não só dos homens, tem outro nome. Telemarketing.

É fato. O atestado que a vida te dá de que você é um homem de responsabilidades próprias é o aumento no número de ligações de telemarketing em seu nome. Seja para assinar uma nova revista, abrir uma conta no banco ou mudar de operadora de celular. Todas as ligações têm um fundo em comum: sabem que você é maior, vacinado, tem RG, CPF e está pronto para ser vítima. Só hoje, recebi 3 ligações.

Às vezes é difícil de resistir a tamanha tentação. Imagine, você em casa sem nada pra fazer e toca o telefone falando que você é quem pode decidir se aumenta ou não o plano da sua conta do celular. Você, saindo da barra da saia da mãe, tendo ali, ao alcance do bocal do telefone, a própria independência de dizer o sim ou não decisivo.

Você vai e diz:'Sim, eu quero aumentar meu plano!'. Isso soa como um grito de independência. Finalmente, você decidiu alguma coisa na sua vida sem ter de consultar a ninguém. Melhor, ninguém decidiu sua vida para você. Não existe nada mais gratificante que isso, garanto.

Assim como não existe nada mais frustrante do que o almoço logo depois da ligação. Você, todo dono de si, solta no almoço: 'Pai, aumentei meu plano no celular.'. Ah amigo... Aí que você vê que nada disso é verdade e que minha teoria de independência é, nada mais nada menos, que pura bobagem. Você só vai ouvir aquele clássico jargão que todo pai usa: 'Mas quem é que paga suas contas?'. Num instante tudo volta ao seu lugar.

Daí nasceu meu ódio e pena pelos(as) atendentes de telemarketing. Ódio por adoçarem nossas bocas com ilusão de que mandamos em tudo, de que temos poder. Sempre tive pena por ser a profissão mais odiada do mundo moderno. Afinal, quem não tem uma história de ter se estressado com uma atendente dessas da vida?

Sempre que me ligam agora, penso duas vezes antes da resposta. Mas nunca me arrependo. Afinal, sou dono do meu nariz, dos meus pensamentos e da minha resposta. Para completar o time só podia ser dono do bolso do meu pai também.

4 comentários:

Anônimo disse...

aioaioaioaioaiuaioaioauaiouhaouihauioaoauiaiouaioaiouaiouaiouauioa

Muito bom, moleque!

Terceiro mundo digital! Novas fronteiras.

Unknown disse...

Uau! Simplesmente sem palavras Be! Vai parecer que tô puxando seu saco, mas que se foda, vc (e eh quem importa) sabe que sou sincera contigo..texto ótimo, a leitura fluiu bem e ooutra seus argumentos foram td! Nunca tinha visto o "telemarketing" por esse lado, apenas como mais uma encheção de sco do mundo moderno!hehe.. Mandou bem rapaz! Continua assim...

Anônimo disse...

ahahahaha muito muito bom mesmo,nunca tinha pensado por esse lado...e po vc mo bonzinho,sempre parto pra grosseria com essas ligações :S
e curti o blog,mas por esses dias de goles to de boa oh :)

Anônimo disse...

"Você vai e diz:'Sim, eu quero aumentar meu plano!'" hahaha!
Gostei muito!!Ser dono do bolso do teu pai é meio difícil...mas ser dono do teu próprio bolso,daqui alguns anos será possível =] aí você poderá dizer um sim à Telemarketing...até lá, ela vai não só existir, como evoluir também...o que não quer dizer que seja uma coisa boa, né..haha
beijão!