11 de mar. de 2008

Lado B Do Rio

Eu, aos 19 anos de idade, descobri o Rio de Janeiro. O ano em que a vinda da família real completa 200 anos e a cidade completa seus 443 anos será comemorado, por mim, como início de uma paixão fulminante. De certo que não nego as suas mazelas. Tráfico, mendigagem, violência, poluição entre tantas outras coisas atrapalham o viver do carioca. Mas é a partir dessas mazelas que o Rio faz com que você se perca de amores por esta cidade realmente maravilhosa.

Conhecia o Rio somente de dia. Sabia das praias, dos shoppings, dos passeios na Lagoa e só. O vetor por onde veio toda a revelação da outra face carioca só podia ser um: Lapa. Não foi a primeira vez que visitei o bairro boêmio do Rio, mas das outras 2 experiências, em nenhuma entrei em transe tamanha quanto a da sexta-feira passada.

Não fui movido por bebida ou outras drogas mais. Fui infectado pelas cenas que saltavam que só os que têm olhos de poeta podem perceber. Para amantes do samba, como eu, só o fato de andar na Lapa já emociona. Conviver com a idéia de que na mesma rua apertadinha, calçada com pedra-sabão, ladeada pelos lindos sobrados, andaram tantos mestres meus foi única. Juro que, em um momento de confidência minha com a madrugada, olhei a minha sombra do mesmo jeito que tantos outros bambas olharam para as suas: com amor.

A Lapa não tem dono, é terra de ninguém. Não segue estética nenhuma. Na simples caminhada que dei dos Arcos ao Beco do Rato, deparei-me com pessoas independentes de convenções e fiéis a suas próprias doutrinas. O som da Lapa não é único. É o berço do samba, assim como do funk, do hip-hop, do rock e de outras coisitas mais. Na Lapa não cabe preconceito.

Não há distinção de nada. Credo, raça ou cor. Acredito que a Lapa seja o único lugar onde se mescla comunismo, anarquia e capitalismo sem nenhuma explosão. Você pode falar, claro que com alguma noção, com a mocinha ou o bandido sem perceber que corre o risco de apaixonar-se ou ser assaltado.

Apesar de ter usado tantos nãos no meu texto, a Lapa é a terra do sim no Rio de Janeiro. Onde tudo é permitido e onde tantas histórias são escritas e reescritas em paralelo, começando todas de um ponto em comum, o lugar. A outra face do Rio não é perigosa ou violenta como muitos desenham. A outra face do Rio de Janeiro não é nada mais nada menos que a subversão da subversão. E eu gosto é do estrago mesmo.

Um comentário:

Anônimo disse...

demais!